Comparar boas práticas no domínio da saúde mental
Irene Norstedt, diretora em exercício responsável pela investigação no domínio da saúde na Direção-Geral da Investigação e da Inovação da Comissão, e John F. Ryan, diretor responsável pela saúde pública na Direção-Geral da Saúde e da Segurança dos Alimentos, falam sobre o terceiro salão de boas práticas organizado pelo grupo diretor sobre prevenção e promoção, que teve lugar em Ispra, em Itália. A edição deste ano é consagrada às boas práticas em matéria de saúde mental.
Qual é o envolvimento da DG Saúde e Segurança dos Alimentos e da DG Investigação e Inovação na saúde mental?
JFR: Segundo as estimativas da OMS, uma em cada cinco pessoas é afetada por um problema de saúde mental. Este tipo de problemas não devem ser considerados invulgares nem ser tabu: a saúde mental é um aspeto da saúde, ponto final! A Comissão Europeia reconhece a importância de promover uma boa saúde física e mental, pelo que intervém há muitas décadas no domínio da saúde mental e financia projetos de investigação e outras iniciativas, como campanhas contra a ciberintimidação e a sensibilização para a depressão e o suicídio.
IN: A Comissão tem apoiado a investigação no domínio da saúde mental através dos seus programas-quadro. Por exemplo, no âmbito do Horizonte 2020, investimos perto de 3200 milhões de euros em investigação sobre o cérebro nos últimos cinco anos. Destes, 615 milhões de euros foram afetados a investigação sobre problemas de saúde mental, incluindo investigação sobre novas ferramentas digitais e modelos de cuidados de saúde eficazes, para descobrir melhores formas de promover a saúde mental e de prevenir, diagnosticar e gerir a doença mental. Mas isto não basta. Sabemos que as doenças mentais continuam a constituir um problema de saúde grave na Europa e no resto do mundo e que muitas pessoas não têm acesso aos melhores cuidados possíveis. É por isso que nos juntámos à Direção-Geral da Saúde e da Segurança dos Alimentos da Comissão e nos juntaremos ao Centro Comum de Investigação. Acreditamos que, ao fornecer elementos concretos que podem ser partilhados com os Estados-Membros, a nossa investigação pode ajudar a melhorar esta situação.
Estão satisfeitos com esta edição do salão?
JFR: Sim. Os 11 participantes apresentam boas práticas que foram experimentadas e testadas e que poderão ser facilmente replicadas noutros contextos. É este é o nosso objetivo: ver resultados concretos que beneficiam os cidadãos europeus. Os representantes dos países da UE presentes estão entusiasmados e satisfeitos por ter a oportunidade de encontrar os chefes de projeto e de aprender com projetos assentes em dados concretos e com provas dadas e que, eles próprios, poderão ajudar a implantar nos seus próprios países com o apoio financeiro e logístico da UE.
Podem falar sobre o grupo diretor que organizou o evento?
JFR: O grupo diretor sobre prevenção e promoção foi criado há três anos e substitui vários grupos de peritos, concentrando os seus esforços em aspetos da máxima importância: a prevenção e a promoção em domínios considerados prioritários pelos Estados-Membros. Cerca de 80 % das doenças não transmissíveis poderiam ser evitadas, principalmente através de escolhas mais saudáveis em termos de estilo de vida. É por aí que temos de começar, isto é, trabalhando para prevenir a doença e promover a saúde. A OCDE e a OMS demonstraram que os investimentos na prevenção e na promoção da saúde são muito eficientes em termos de custos e evitam encargos posteriores com cuidados de saúde para tratar doenças e condições que poderiam ter sido adiadas ou evitadas através de uma prevenção eficaz.
IN: A participação no salão permitiu-nos criar uma rede e ficar com uma ideia mais clara do que é necessário no terreno. É frequente os investigadores terem toda a liberdade para desenvolver a sua investigação. Mas orientar a investigação para um desafio específico é estimulante e motivante. Quem não gostaria de encontrar a cura para a demência ou uma forma de prevenir o suicídio? É extremamente gratificante ver apresentadas no salão boas práticas que começaram como uma boa ideia de uma pessoa, que foi aplicada no terreno com êxito e permitiu ajudar pessoas que necessitam de ajuda. É este o sentido do nosso trabalho. Há uma energia criativa na investigação, esperança na partilha de ideias e satisfação real com a obtenção de resultados tangíveis.
Atividades a nível da UE
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Saúde mental/doenças não transmissíveis Comissão Europeia – Saúde e Segurança dos Alimentos |
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Guia para a ação da UE no domínio da saúde e do bem-estar mental (EU Compass) Comissão Europeia – Saúde e Segurança dos Alimentos |
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Grupo diretor sobre promoção da saúde, prevenção da doença e gestão de doenças não transmissíveis Comissão Europeia – Saúde e Segurança dos Alimentos |
Notícias
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Salão das melhores práticas no domínio da saúde mental – Ispra (Itália), 14 e 15 de maio de 2019 Organizado pelo grupo diretor da Comissão Europeia sobre prevenção e promoção da saúde, o salão põe em destaque práticas com provas dadas em vários domínios da saúde, que podem ser replicadas a maior escala nos países interessados. Saiba mais sobre o trabalho do grupo diretor. |
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Brochura com informações sobre boas práticas europeias em matéria de saúde e bem-estar mental que foram avaliadas por peritos, incluindo um breve resumo de cada uma das práticas, os ensinamentos retirados e recomendações para a sua futura aplicação em diferentes contextos. |
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Resultados do projeto-piloto de dois anos que analisou questões de saúde mental em 12 países O projeto cofinanciado pelo Parlamento Europeu avalia a situação atual em matéria de cuidados de saúde mental e propõe formas de a melhorar. |
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Uma das apresentações abordava as melhores práticas num contexto de cuidados integrados de base digital e os progressos realizados para alcançar os objetivos de sustentabilidade. A reunião de 14 de fevereiro de 2019, em Bruxelas, foi a segunda reunião formal do grupo diretor. |
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O Comissário Vytenis Andriukaitis é o patrono da edição de 2019 deste evento, que terá lugar no Luxemburgo. Em 11 de maio, milhares de pessoas em todo o mundo participarão numa caminhada com início às cinco horas da manhã, passando da escuridão à luz do dia. Este evento simboliza a esperança, chamando a atenção para os problemas de saúde mental. |
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Os problemas de saúde mental, um encargo para a Europa Segundo um relatório conjunto da OCDE e da Comissão Europeia, intensificar os esforços para promover a saúde mental e melhorar o diagnóstico precoce e o tratamento das pessoas com doenças mentais permitiria melhorar a vida de milhões de europeus e contribuiria para reforçar as condições económicas e o emprego. |
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Documento de orientação da OMS Europa sobre a integração das doenças mentais nos sistemas de saúde Um breve documento de orientação preparado para a conferência europeia de alto nível da OMS sobre doenças não transmissíveis define vias para um planeamento mais integrado, bem como ações abrangentes no domínio da saúde mental e das doenças não transmissíveis. |
Projetos do Programa de Saúde
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A Mig-HealthCare elaborará um roteiro para a criação de modelos eficazes de cuidados de saúde a nível das comunidades, a fim de melhorar os serviços de saúde física e mental, apoiar a inclusão e a participação de migrantes e refugiados na sociedade europeia e reduzir as desigualdades no domínio da saúde. |
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O projeto PATHWAYS propôs recomendações dirigidas aos responsáveis políticos e às artes interessadas para abordar problemas relacionados com o trabalho que afetam as pessoas com doenças crónicas e problemas de saúde mental, bem como as suas consequências negativas a nível pessoal, nacional e da UE. |
Outras ligações úteis
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A rede Saúde Mental Europa é a maior organização independente que representa os utentes, os profissionais e os prestadores de serviços de toda a Europa. |